O Figma Ainda É Relevante na Era do Design com IA?
Nos últimos anos, a inteligência artificial transformou profundamente a forma como produtos digitais são concebidos, projetados e desenvolvidos. Ferramentas capazes de gerar interfaces a partir de prompts, criar protótipos funcionais automaticamente e até produzir código pronto para uso estão mudando o fluxo de trabalho de designers e desenvolvedores.
Diante desse cenário, uma pergunta tem se tornado cada vez mais comum:
O Figma ainda é relevante na era do design impulsionado por IA?
À primeira vista, pode parecer que ferramentas de IA estão tornando softwares tradicionais de design menos necessários. Afinal, se uma plataforma consegue gerar telas completas em segundos, qual seria o papel de uma ferramenta como o Figma?
No entanto, essa visão simplifica demais a realidade. O surgimento da IA não elimina a necessidade de design. Na verdade, está redefinindo a forma como o design é produzido e valorizado.
O surgimento do design gerado por IA
O crescimento de ferramentas de IA trouxe uma nova abordagem para a criação de interfaces.
Hoje já é possível:
- Gerar wireframes a partir de descrições em linguagem natural;
- Criar layouts completos com poucos comandos;
- Produzir componentes automaticamente;
- Gerar protótipos funcionais;
- Transformar designs em código;
- Criar variações de interfaces em segundos.
Esse movimento ficou conhecido por muitos profissionais como “design por prompt” ou “vibe coding”, em que a criação acontece por meio de instruções textuais e a IA assume grande parte da execução técnica.
Naturalmente, essa evolução gerou preocupações sobre o futuro das ferramentas tradicionais de design.
Por que tantas pessoas acreditam que o Figma está perdendo relevância?
Grande parte dessa percepção surge porque diversas ferramentas de IA conseguem gerar resultados visuais extremamente rápidos.
Quando comparado ao processo tradicional de construir telas, componentes e fluxos manualmente, o ganho de velocidade impressiona.
Além disso, novas plataformas passaram a oferecer:
- Geração automática de interfaces;
- Criação de protótipos baseada em prompts;
- Conversão direta de ideias em código;
- Fluxos integrados entre design e desenvolvimento.
Com isso, alguns profissionais passaram a defender que a etapa intermediária de design visual deixaria de existir.
Essa visão ganhou força principalmente entre startups, desenvolvedores independentes e equipes pequenas, que valorizam velocidade acima de processos estruturados.
O problema da visão “Figma está morto”
A principal falha dessa argumentação é assumir que o trabalho de design consiste apenas em criar telas.
Na prática, o design de produtos envolve muito mais do que desenhar interfaces.
O processo inclui:
- Pesquisa com usuários;
- Estratégia de produto;
- Arquitetura da informação;
- Definição de fluxos;
- Construção de sistemas de design;
- Padronização visual;
- Documentação;
- Colaboração entre equipes.
Mesmo quando uma IA gera uma interface visualmente agradável, ainda existe a necessidade de avaliar se aquela solução realmente resolve o problema do usuário.
Esse é um aspecto que continua dependendo da análise humana.
O que o Figma realmente oferece hoje?
Muitas discussões sobre IA tratam o Figma apenas como uma ferramenta de desenho de telas.
Mas o papel do Figma dentro das empresas evoluiu significativamente.
Hoje ele funciona como uma plataforma central de colaboração entre:
- Designers;
- Desenvolvedores;
- Product Managers;
- Stakeholders;
- Equipes de marketing.
Além da criação visual, o Figma concentra:
- Bibliotecas de componentes;
- Design systems;
- Tokens de design;
- Documentação;
- Especificações técnicas;
- Comentários e feedbacks;
- Versionamento de projetos.
Por isso, muitos profissionais enxergam o Figma mais como uma infraestrutura de colaboração do que apenas uma ferramenta de design.
IA e Figma não são concorrentes diretos
Um dos maiores equívocos atuais é tratar inteligência artificial e Figma como tecnologias concorrentes.
Na prática, elas tendem a trabalhar juntas.
Enquanto a IA acelera tarefas operacionais e gera primeiras versões rapidamente, o Figma continua sendo o ambiente onde as equipes refinam, validam e documentam soluções.
Em outras palavras:
- A IA acelera a geração de ideias;
- O Figma organiza e operacionaliza essas ideias;
- Os designers garantem qualidade, consistência e experiência do usuário.
Esse modelo híbrido tem se tornado cada vez mais comum dentro das organizações.
O próprio Figma está incorporando IA
Outro fator importante é que o Figma não ficou parado enquanto novas ferramentas surgiam.
A empresa vem adicionando recursos baseados em inteligência artificial para acelerar diversas etapas do processo criativo.
Entre as funcionalidades já introduzidas estão:
- Geração de layouts por prompt;
- Criação automática de interfaces;
- Assistência para prototipação;
- Sugestões de design;
- Automação de tarefas repetitivas.
A estratégia da empresa é clara: utilizar IA para aumentar a produtividade dos profissionais, e não substituir completamente o processo de design.
O papel do designer está mudando
Talvez a pergunta correta não seja se o Figma continuará relevante.
A questão mais importante é:
Qual será o papel do designer em um cenário onde a IA produz interfaces em segundos?
À medida que a criação visual se torna mais automatizada, habilidades estratégicas ganham ainda mais importância.
Os profissionais mais valorizados tendem a ser aqueles capazes de:
- Compreender problemas complexos;
- Interpretar necessidades dos usuários;
- Criar estratégias de produto;
- Construir experiências consistentes;
- Tomar decisões baseadas em pesquisa;
- Gerenciar sistemas de design escaláveis.
O foco deixa de ser apenas desenhar interfaces e passa a ser projetar experiências completas.
Quando a IA supera o Figma?
Existem situações em que ferramentas baseadas em IA realmente oferecem vantagens significativas.
Por exemplo:
- Validação rápida de ideias;
- Protótipos iniciais;
- MVPs simples;
- Projetos pessoais;
- Exploração de alternativas visuais.
Nesses cenários, gerar algo em minutos pode ser mais eficiente do que construir tudo manualmente.
Porém, quando os projetos crescem em complexidade, entram em cena necessidades como governança, documentação, consistência visual e colaboração entre equipes, áreas onde o Figma ainda possui forte vantagem competitiva.
O futuro será híbrido
O cenário mais provável não é a substituição completa do Figma nem a eliminação do trabalho dos designers.
O que está surgindo é um fluxo de trabalho híbrido.
Nesse modelo:
- A IA gera ideias e primeiros conceitos.
- O designer seleciona e direciona as melhores soluções.
- O Figma centraliza documentação e colaboração.
- O desenvolvimento recebe especificações mais completas.
- O produto evolui continuamente com apoio de IA.
Esse processo reduz tarefas repetitivas e permite que os profissionais dediquem mais tempo a decisões estratégicas.
Conclusão
O avanço da inteligência artificial está transformando profundamente a indústria de design digital, mas isso não significa o fim do Figma.
Ferramentas de IA estão tornando a criação visual mais rápida e acessível, porém ainda não substituem aspectos essenciais do processo de design, como colaboração, documentação, estratégia, pesquisa e construção de sistemas escaláveis.
O Figma continua sendo uma peça central para equipes que precisam organizar conhecimento, alinhar profissionais e transformar ideias em produtos consistentes.
A verdadeira mudança não está na substituição do Figma, mas na evolução do papel dos designers. Os profissionais que aprenderem a combinar inteligência artificial com pensamento estratégico estarão melhor posicionados para aproveitar as oportunidades da nova era do design.


